segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

O velho, o cachorro e a gota de suor - Tati Bernardi

Estou sentada com você ao meu lado. A magreza do seu joelho me parece ser nesse segundo a única coisa que realmente faz o mundo girar. Olho pro seu joelho e quero uma página branca de Word pra escrever "a magreza do seu joelho me parece tão forte agora que faz o mundo inteiro girar". Como é bonita toda a sua magreza e toda a sua altura e o seu andar de coqueiro que dança, se espalha, seduz o ar, mas é tão preso no chão que ainda mata sedes. Está escurecendo e daqui seis horas é ano novo. Preciso começar do zero. Combinei comigo que vou escrever sobre outras coisas e não mais sobre essa única coisa sobre a qual escrevo. Veja você que estava eu com um cara até ele ler meus textos. Veja você que depois eu estava com outro cara até ele também ler meus textos. Te conto isso e você me diz "nós somos inseguros demais e queremos uma garota normal, entende?". Passa então um velho com um cachorro apesar da placa dizendo que é proibido cachorro na praia. E eu tento desfocar do tanto que o seu joelho me oprime e foco no velho. Não quero mais a página em branco do Word. A verdade, meu querido, é que estou cagando para o velho e seu cachorro e para a placa e para a praia. Você com seu joelho e com seu riso largo demais para o charme de maldade que você tenta impor. Você com essa única gota minúscula de suor dependurada no queixo. Você com esse cheiro bom que é mais forte dentro da "canaleta" que vai do centro do seu pescoço até o meio das costas. Você com esse buraco no meio do peito. O que é isso? Você levou um tiro? O que é isso que me dá vontade de te afundar um murro do tamanho da sua pose ou ficar pequena pra dormir de conchinha no centro do seu peito? Olhando para o cachorro que agora vai longe com o velho, Clarice faria um lindo texto sobre a solidão humana ou sobre o fim da vida ou sobre a amizade sem palavras ou sobre como é mais bonito quando um ser aceita ser inferior. Os barbudos melancólicos eternamente tentando inventar um novo jeito de ser o antigo. Os barbudos melancólicos do Mercearia fariam um texto sobre esse velho trepando com o cachorro, sobre a tentativa de não se vender ao sistema e contemplar a vida numa praia, andando com um cachorro. Eles fariam esse texto e se celebrariam e se publicariam e se premiariam. E eles são escritores respeitados. Eu sou apenas a garota angustiada, de cabeça metralhadora, de tremedeira na existência, de maxilares travados de tanto que dói gostar tanto de tudo. Eu sou apenas a garota que tenta ser amada. E sou profundamente amada por alguns meses, até o garoto segurar firme a minha mão e dizer "nós somos inseguros e queremos uma garota normal". E então eu me pergunto se não deveria lobotomizar meu cérebro pra pensar menos, lobotomizar meu coração pra sentir menos, lobotomizar meu espírito pra estar agora menos obcecada pelo seu joelho magrelo. E então eu falaria pouco, teria alguma profissão sonsa dessas que a pessoa fica em cima de apostilas na madrugada ao invés de estar abaixo das estrelas e você poderia me dar a sua mão magrela e nós andaríamos pelas ondinhas secas que fazem bordas de espelho para nossas pernas que seguem juntas. Ou, se ser escritora fosse forte demais, que eu começasse então a escrever sobre o velho e o cachorro. Quem quer bancar a menina que escreve sobre suores e joelhos e cheiros? Eles são inseguros e querem uma garota normal, entende? Você agora penteia o cabelo pra trás, a gotinha de suor pinga na areia fazendo uma lágrima. Você se levanta e vai nadar sozinho. Antes, você se esbarra inteiro no meu corpo, como sempre faz só pra me atordoar e só porque é bem legal ter uma mulher como eu prestando tanta atenção em vocês. Vocês saberiam melhor o que fazer se eu fosse normal, mas algo dentro dessas covardias machistas simplórias e primatas ainda consegue distinguir como é bem legal ser admirado por uma mulher como eu. Antes de me deixar pirando em toda a sua magreza que flutua pelo mundo como uma música leve e impossível de tirar do repeat, você olha pra trás e diz: "mas deve ter alguém que não tenha medo". E eu jamais poderia escrever sobre o velho e sobre o cachorro, até porque eles desapareceram e eu nem percebi.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Lenine - É o que me interessa.



Daqui desse momento. Do meu olhar pra fora. O mundo é só miragem. A sombra do futuro, a sobra do passado. Assombram a paisagem. 
Quem vai virar o jogo, e transformar a perda, em nossa recompensa; Quando eu olhar pro lado, eu quero estar cercado, só de quem me interessa.
Às vezes é um instante, a tarde faz silêncio, o vento sopra a meu favor. Às vezes eu pressinto e é como uma saudade, de um tempo que ainda não passou. Me traz o seu sossego, atrasa o meu relógio, acalma a minha pressa. Me dá sua palavra, sussurra em meu ouvido, só o que me interessa.
A lógica do vento, o caos do pensamento, a paz na solidão, a órbita do tempo, a pausa do retrato, a voz da intuição, a curva do universo, a fórmula do acaso, o alcance da promessa, o salto do desejo, o agora e o infinito, só o que me interessa. 

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Caio F. Abreu



Me entende, eu não quis, eu não quero, eu sofro, eu tenho medo, me dá a tua mão, entende, por favor. Eu tenho medo, merda!Ontem chorei. Por tudo que fomos. Por tudo o que não conseguimos ser. Por tudo que se perdeu. Por termos nos perdido. Pelo que queríamos que fos...se e não foi. Pela renúncia. Por valores não dados. Por erros cometidos. Acertos não comemorados. Palavras dissipadas.Versos brancos. Chorei pela guerra cotidiana. Pelas tentativas de sobrevivência. Pelos apelos de paz não atendidos. Pelo amor derramado. Pelo amor ofendido e aprisionado. Pelo amor perdido. Pelo respeito empoeirado em cima da estante. Pelo carinho esquecido junto das cartas envelhecidas no guarda- roupa. Pelos sonhos desafinados, estremecidos e adiados. Pela culpa. Toda a culpa. Minha. Sua. Nossa culpa. Por tudo que foi e voou. E não volta mais, pois que hoje é já outro dia. Chorei. Apronto agora os meus pés na estrada. Ponho-me a caminhar sob sol e vento. Vou ali ser feliz e já volto.

Achei esse post num dos meus antigos blogs, e resolvi postar aqui..

Todos os dias, eu costumo me fazer diversas perguntas sobre várias coisas e assuntos. Mas por que será que eu nunca encontro reposta para algumas delas? Por que será que nenhuma vozinha do além me diz o por que da coisas. Então eu torno a perguntar, cada vez mais forte, pois quem sabe assim, algum dia ela me responde. E eu pergunto, cada vez mais determinada e perseverante... Esperando a tal resposta. Pergunto, pergunto, e ufa... Pergunto! Mas ninguém me responde. Então, eu vou dormir com a certeza de que as minhas perguntas sem fundamento e algumas até sem sentido, nunca serão respondidas. Durmo, durmo. Acordo, e durmo. Acordo, e vou direto para a janela da sala de estar. Olho pela janela para ver se o sol já raiou, para ver se o dia já está claro e eu já posso sair para os meus afazeres matinais. Mas ainda é noite, e o dia está distante de mim. Mas por que? Por que droga isso tem que ser assim? Eu dormi, e acordei e essa droga de noite ainda não chegou ao fim? Mas que droga. Dou alguns passos até o sofá e me jogo como se estivesse me atirando numa cama elástica ou algo do tipo. Pego o controle remoto, e ligo a tv. Procuro algum canal que se adeqüe ao meu estado de humor, mas não encontro nada, o que eu procuro ainda não tem definição ou explicação. Apartir desse episódio do controle remoto e do canal de tv, percebo definitivamente, que por mais satisfeita que eu tente ser, ou por mais felicidade que eu tente transparecer aos outros, tão cedo eu não conhecerei o conceito dessa emoção que muitos que não estão interessados em descobrir, acabam descobrindo sem querer. Mas por que? por que tudo isso? pra que tanta dificuldade? Eu não sei, mas talvez o que eu esteja buscando para a minha vida não seja o mais fácil caminho, mas talvez seja o que me fará mais feliz. Uma vez eu escrevi num pedaço de papel, que 'Eu não queria morrer sem ter provado de todos os sabores da vida, de todas as palpitações possíveis. Não queria morrer sem conhecer o maior número de conceitos e opiniões em relação a Vida, possíveis.' Eu paro, penso e vejo que é realmente isso que eu quero para mim. Pode não ser o mais saudável caminho, pode não ser o mais admirável caminho aos olhos dos outros, mas eu não tenho planos de viver me baseando na vida dos outros, na verdade nem sei se eu tenho planos. Porque no final nunca saem do jeito que planejamos. É, talvez eu tenha resposta para algumas perguntas. Talvez isso tudo que acabei de escrever seja desnecessário já que 'eu tenho resposta para algumas perguntas', mas eu gosto disso... Eu gosto de como isso soa, e gosto do gosto que isso tem. E definitivamente, essa coisa toda me atrai cada vez mais.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

O eu que existe em mim.

Eu caminhava, numa rua estreita e escura, numa noite fria, sombria. Os meus dedos gelados tocavam um no outro, e sentiam algo que nem eu mesma internamente conseguira sentir. Cada passo fazia um barulho penetrante, sim penetrante, porque tudo que antes acontecera, talvez tenha sido incapaz de penetrar na própria alma, e assim era. Mas, naquele momento todas as coisas que eu deveria achar que acreditava, eu passara a não acreditar. E tudo já não era suficiente... Me davam um carro, uma noite, estrelas cadente, uma flor, uma cor, e nada era suficiente. Me ofereciam seu bem mais precioso, me colocavam como portadora de sua posse mas, ainda assim nada era suficiente. E todas as coisas que eu pensara antes ser verdade, todos os sentimentos verdadeiros que eu achava que já havia sentido, eram todos controversos, misturados, embolados, machucados, falsificados. Nada antes havia sido verdadeiro, a julgar pelo fato de sentir errado. E sentia. Mas eu caminhava, continuava andando por aquelas ruas que pareciam becos inacabáveis, e eu pensava comigo mesma:" Quando haverá uma saída?", e não havia... Até que então, avistei uma luz bem lá no fim da estrada. Era uma luz iluminada, uma coisa chamativa, sabe? Daquelas que irradiam os olhos da gente, e nos transportam para um estado inconsciente, daqueles que mais parece um sonho. Mas, o engraçado dessa história toda, era que era real. Então eu continuei a caminhar. Quando deparei-me, estava frente a frente com ele. Sim, porque toda essa luz tinha um nome, tinha um fundamento, e como tinha. E eu reconheci a sua face, eu reconheci aquele vislumbre imenso, aquele ser humano incapaz de me fazer sentir a pior das piores sensações. O único ser que havia tentado abrir a gaveta mais profunda da minha alma, e conseguira. 
E eu me pergunto o por que disso todos os dias. Eu me pergunto: "Meu Deus, será que realmente mereço tudo isso?" Eu começo, e recomeço várias vezez, tentando achar um fim para esta frase. Mas, o que a nossa alma constrói nem mesmo um turbilhão consegue destruir. E eu gosto dessa idéia misteriosa de tentar enchegar o outro lado da vida, o lado metafórico de dizer. Mas, voltemos. Eu não sei como nem porque isso aconteceu, nem sei porque todas as coisas precisam ser tão complexas para fazer sentido na vida da gente, para deixar marcações positivas ou negativas, sejam elas o que for. Lembro-me de quando você me fazia sua  menina, lembro-me de cada momento juntos. Eu posso ter me esquecido de qualquer outra coisa, menos dos nossos momentos, tão únicos e tão nosso. E como boa menina que sou, como esperta que sou, apesar de não parecer(ou não), eu quero crer nisso. Eu quero lutar pelo que um dia foi meu, por aquele vislumbre que um dia encheu o meu rosto de cor, deixou minhas bochechas rosadas. Eu quero lutar pelo nosso doce predileto, pelo nosso pedaço de felicidade, quero te ajudar, quero lutar pelos nossos sorrisos, outra vez; Quero lutar pelo amor. Pelo nosso amor. 

Ps.: Ao meu querido, e doce amor

domingo, 9 de janeiro de 2011

Adia - Avril Lavigne.

 
Adia, I'm empty since you left me.
Trying to find a way to carry on,
I search myself and everyone
To see where we went wrong.

'Cause there's no one left to finger,
There's no one here to blame,
There's no one left to talk to, honey,
And there ain't no one to buy our innocence.
'Cause we are born innocent.
Believe me, Adia, we are still innocent.
It's easy, we all falter...
Does it matter?

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Por mais felizes que sejamos hoje, o amanhã a Deus pertence.





Um novo dia é sempre um novo dia, e acompanhado de um novo dia.. Surgem, novas esperanças, novas conquistas, novas expectativas, novos planos. Novos pinguinhos de cremes dentais a serem usados, novas chícaras no café da manhã, novos ônibus a pegar, novas frases a serem ditas, novas pessoas a estarem ao nosso redor. É tudo sempre novo. Desconhecido. O Amanhã será sempre amanhã. E por que discutir com a lei da natureza? Com a lei das coisas desconhecidas? Se é que existe alguma lei que indique tal frase que acabei de ditar.
Construímos muitos sonhos no nosso dia-a-dia, costumamos planejar o nosso dia. Cada segundo, o que faremos, aonde iremos, com quem iremos, costumamos decidir nossas atitudes mentalmente para saber o que fazer na hora de colocá-las em ação. Mas, isso é um pouco relativo, nem todos pensam assim.. Mas, vamos acompanhar o raciocínio das pessoas que carregam consigo mesma a mesma tese que esta. Vamos lá.. Costumamos planejar tudo, tudo. E uma tarefa grandiosamente difícil é saber perfeitamente como colocá-las em prática, porque uma coisa é você desejar fazer ou ter, outra é você pensar em meios para tornar tais sonhos ou planos, viáveis. Esta é a parte complicada da vida, e ao mesmo tempo, a etapa mais normal do mundo. Enfrentar é um ofício oficial do ser humano. Cabe a cada um, saber como encarar essas pirâmides, e de preferência, da melhor maneira possível. 

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"Talvez eu até esteja errado, mas que se dane. Se uma pessoa não tem paciência nem pra conquistar minha confiança e afastar meus medos, o que eu posso esperar, então? Sou quebra-cabeça de 500 mil peças, quem não tiver capacidade, tenta um jogo mais fácil. Eu supero e agradeço." - Tati Bernardi