sábado, 29 de janeiro de 2011
"Me sinto aliviadamente preparada para o dia seguinte, que tem como conteúdo: Berros, porradas e um bêbado no fim da noite deitado ao meu lado."
Não há explicações para isto. Ele simplesmente me sacode, me balança, grita comigo, e ainda pede, implora, para que eu fique. Mas, ficar pra que? - Então ele me olha, grita, berra, chinga, diz que me odeia, sabendo que daqui a 20 segundos vai voltar a dizer que me ama. Mas por que? Por que ele faz isso? Todos os dias eu saio cedo para mais um longo dia, e quando chego em casa... Lá está ele, sentado no sofá menor que fica de frente pra aquela mesa de centro vermelha e velha próximo a porta do apartamento, com um cigarro em uma mão e uma garrafa de cerveja na outra, pronto para mais um ataque. E eu fico na espera, já chego preparada com o fone de ouvido posto em mim, e me esquivando para que ele não acerte no meu corpo, os locais que já estão machucados. Me tranco no nosso quarto, e durante a madrugada confesso que tenho medo daquele homem que se deita ao meu lado, todas as noites. Mas ele dormindo nada faz, está bêbado, o álcool corre em suas veias e o cigarro cutuca o seu pulmão, então ele nada pode fazer. Me sinto aliviadamente preparada para o dia seguinte, que tem como conteúdo: Berros, porradas e um bêbado no fim da noite deitado ao meu lado. É e será sempre assim, ao menos até o dia em que eu quiser que não mais seja. Até lá, continuo dormindo ao lado desse homem que tanto me machuca, mas que sem ele eu não tenho sequer uma história dramática para contar.
"Eu gosto de saber que tudo nessa tal de vida, é extremamente difícil. E que doer? Faz parte."
Uma chícara de café e uma nova espécie de amor.
Eu sempre quis escrever sobre uma chícara de café. Mas eu sempre quis escrever sobre a chícara de café sendo duas vezes mais complexa, sabe? Aliás, complexa não sei se seria a palavra certa, mas talvez metafórica, sim. Essa sim, seria. Eu queria falar os detalhes da chícara, queria falar sobre o gosto do café, se eu estava sentada ou deitada, se eu estava com os pés sobre a mesa de centro da sala de estar ou se eu estava largada no quarto que tem as paredes pintadas de preto. Queria falar sobre aquela tarde, aliás não.. Queria mesmo era falar sobre o café daquela tarde. Isso.. Sobre o café daquela tarde. Ah, o café! Eu sentia aquele gosto doce e ao mesmo tempo amargo na boca, e me perguntava o por que daquele gosto.. Já que são tão opostos. E o próprio café me respondia, segundo ele, aquele gosto que eu sentia não existia, eu havia me acostumado tanto a aquele café de fim de tarde, que eu criei uma certa ilusão quanto ao gosto do café. Ele era um café comum, um café amargo e que as vezes trincava no dente, mas eu insistia em reforçar a minha idéia de que aquele café era doce e amargo ao mesmo tempo... Mas ele não era. No fim da rua, havia uma casa pequena, devia ter um quarto e um banheiro somente, era uma casa para e não para dois. Dentro dela morava um rapaz, um moço, um menino, um homem, tanto faz. Ele me atraia, e eu sabia que eu atraia a ele também. Depois de um tempo ficamos bem próximos um do outro, e ele me ensinou que amor é apenas mais uma dessas contradições que a vida faz você se deparar(um exemplo seria o doce e o amargo do meu café de fim de tarde). Ele me fez acreditar que o amor não existia, que o amor era apenas o nome que a gente costumava dar a aquela sensação de ter tudo e não precisar de nada, sabe assim? e no fundo era o que realmente era. Eu não queria acreditar nessa teoria dele, mas ele passou a frequentar a minha casa todos os dias nos fins de tarde porque ele sabia do meu segredo, ele agora sabia do meu sigiloso café de fim de tarde, e com todas essas atitudes, ele tinha em mente um único propósito, me fazer acreditar na sua teoria sobre a nossa espécie do amor. E com o tempo, ele acabou conseguindo. E depois ele sumiu, saiu, foi passear. E não mais voltou. E voltaria agora? Quem sabe, quem sabe. Mas agora eu havia criado uma nova espécie de um novo amor... A de que esse negócio de amor só é eterno na cabeça da gente e que na prática, ele um dia acaba.
domingo, 23 de janeiro de 2011
Por que?
Por que você chora ao invés de sorrir? Por que se estristece ao invés de se sentir feliz? Por que lá fora está chovendo ao invés de fazer sol? Por que as maçãs precisam ser vermelhas para se sairem bem na foto? Por que os olhos daquela menina denunciam a pobreza ao invés de uma vida cheia de diversão? Por que eu preciso me levantar todos os dias para viver as mesmas coisas sendo que eu poderia dormir eternamente e só acordar no dia em que algo surpreendente decidisse ocorrer na minha vida? Por que eu vivo? Por que eu respiro?
Por que a minha vontade de parar é tão grande quando comparada a minha vontade de levantar e seguir em frente? Por que eu me sinto tão fraca e desprotegida? Por que? Por que eu sou tão frágil e sensível? Por que que o meu coração dói, se eu não sinto dor alguma? Uma lágrima escorreu em meu rosto. Mas eu não senti absolutamente nada.
sexta-feira, 21 de janeiro de 2011
E agora, que faço eu da vida sem a Dor?
Ouvindo "Caetano Veloso - Você Não Me Ensinou A Te Esquecer". Recorro a um pedaço de papel, e a minha caneta preta. Ultimamente tenho achado que um pedaço de papel e uma caneta, talvez tenham se tornado meus alicerces, o meu esconderijo, o lugar que vai me receber em quaisquer das circunstâncias, a casa que eu sei que mesmo se eu passasse dois três meses viajando, e depois disso voltasse.. Continuaria sendo muito bem vinda. E ainda melhor que das vezes anteriores. Talvez. E então, escrevo:
- Hoje eu acordei sentindo falta de algumas coisas. De algumas pessoas. De alguma pessoa. Não sei se a explicação seria a data tão expressiva e significante para mim. Ou se é apenas a tal solidão mesmo, aquele nózinho desatado na garganta, sabe? Como se eu tivesse bebido todas ontem a noite, e de presente no dia seguinte, recebido uma ressaca daquelas que quando você acorda só consegue pensar em água, água e água. Eu posso entender isso com uma sede, mas na questão talvez não seja somente a sede. Dizem que eu devo me abrir mais com as pessoas, que devo conversar mais sobre todas as minhas inseguranças, todas as minhas sedes, que devo procurar compreender mais os meus pais, os meus amigos, a minha vida. Mas no que isso resultaria? Já fiz isso antes. E no que deu? A única resposta que conseguem pensar é: "Poxa, amiga. Relaxa, vai dar tudo certo. Por que você não faz isso, isso e aquilo?" Isso não me ajuda. Nem alivia a minha sede, o meu fanatismo incomum. Talvez se ficassem apenas calados me olhando e fazendo aquela carinha de quem acharia legal dizer: "Estou contigo, estou aqui." ou então, pedissem pra eu deitar no seu colo. Um cafuné, quem sabe? Acalmaria mil vezes mais a minha dor, a minha vontade de sair e resolver tudo da maneira mais fácil. Eu não culpo os meus amigos por eu ser quem eu sou hoje. Aliás, eu não culpo a ninguém. Se eu sou o que eu sou hoje, se eu me tornei uma pessoa seca, sem qualquer sinal de caridade, é porque o mundo me ensinou a ser assim. Mas o que a minha sede tem haver com a tal data tão memorável? Não sei. Eu começo a escrever, falar sobre o meu estado atual, pulando assunto por assunto, e acabo esquecendo do assunto anterior. Mas, aquela garota do ponto de ônibus me disse que, Ela queria dizer apenas uma coisa... Uma única coisa para Ele. E que Ela espera que um dia Ele queira ouvir o que Ela tem a dizer, Ele dê a atenção que ela tanto implorou silenciosamente.
E aquela guría deseja-te, muitas alegrias, momentos felizes e inesquecíveis, pessoas maravilhosas em sua vida, paz, tranquilidade, equilibrio... Que todos os seus grandes sonhos se tornem grandes, enormes, realizações. Que você consiga construir meios de tornar a sua tão sonhada vida, uma vida de verdade. Que você consiga fazer com que todos os seus desejos, todos mesmo, se tornem reais. E que quando estiver na sua terceira idade, consiga recordar-se de todas as coisas boas que a vida te ofereceu. E consiga lembrar também, da tal guría que queria te dizer uma coisa antes de partir. Fim.
- Hoje eu acordei sentindo falta de algumas coisas. De algumas pessoas. De alguma pessoa. Não sei se a explicação seria a data tão expressiva e significante para mim. Ou se é apenas a tal solidão mesmo, aquele nózinho desatado na garganta, sabe? Como se eu tivesse bebido todas ontem a noite, e de presente no dia seguinte, recebido uma ressaca daquelas que quando você acorda só consegue pensar em água, água e água. Eu posso entender isso com uma sede, mas na questão talvez não seja somente a sede. Dizem que eu devo me abrir mais com as pessoas, que devo conversar mais sobre todas as minhas inseguranças, todas as minhas sedes, que devo procurar compreender mais os meus pais, os meus amigos, a minha vida. Mas no que isso resultaria? Já fiz isso antes. E no que deu? A única resposta que conseguem pensar é: "Poxa, amiga. Relaxa, vai dar tudo certo. Por que você não faz isso, isso e aquilo?" Isso não me ajuda. Nem alivia a minha sede, o meu fanatismo incomum. Talvez se ficassem apenas calados me olhando e fazendo aquela carinha de quem acharia legal dizer: "Estou contigo, estou aqui." ou então, pedissem pra eu deitar no seu colo. Um cafuné, quem sabe? Acalmaria mil vezes mais a minha dor, a minha vontade de sair e resolver tudo da maneira mais fácil. Eu não culpo os meus amigos por eu ser quem eu sou hoje. Aliás, eu não culpo a ninguém. Se eu sou o que eu sou hoje, se eu me tornei uma pessoa seca, sem qualquer sinal de caridade, é porque o mundo me ensinou a ser assim. Mas o que a minha sede tem haver com a tal data tão memorável? Não sei. Eu começo a escrever, falar sobre o meu estado atual, pulando assunto por assunto, e acabo esquecendo do assunto anterior. Mas, aquela garota do ponto de ônibus me disse que, Ela queria dizer apenas uma coisa... Uma única coisa para Ele. E que Ela espera que um dia Ele queira ouvir o que Ela tem a dizer, Ele dê a atenção que ela tanto implorou silenciosamente.
E aquela guría deseja-te, muitas alegrias, momentos felizes e inesquecíveis, pessoas maravilhosas em sua vida, paz, tranquilidade, equilibrio... Que todos os seus grandes sonhos se tornem grandes, enormes, realizações. Que você consiga construir meios de tornar a sua tão sonhada vida, uma vida de verdade. Que você consiga fazer com que todos os seus desejos, todos mesmo, se tornem reais. E que quando estiver na sua terceira idade, consiga recordar-se de todas as coisas boas que a vida te ofereceu. E consiga lembrar também, da tal guría que queria te dizer uma coisa antes de partir. Fim.
A Cabana.
Só porque você acredita firmemente numa coisa não significa que ela seja verdadeira. Disponha-se a reexaminar aquilo em que acredita. Quanto mais você viver na verdade, mais suas emoções irão ajudá-lo a ver com clareza.
terça-feira, 18 de janeiro de 2011
A velha, o trem e a tal lição.
Sentada num banquinho qualquer com um caderninho na mão e uma mente cheia de idéias, próximo a um trem que está prestes a partir, escrevo sobre o meu consciente, enquanto o trem passará logo a frente. Enquanto poderia eu, estar seguindo neste vagão; enquanto poderia eu, daqui a algumas horas estar deitada no teu colo, você me fazendo cafuné e dizendo que eu sou a sua preciosidade, o seu bem tão valioso, e que ocupo um lugar especial no teu coração. Enquanto todos os acasos poderiam ser destino, enquanto todas as idéias subitamente loucas poderiam ser uma obra divina perfeita. Mas o que seria isto agora? Um vago passado? Uma amostra, uma pequena teoria daquilo que costumamos chamar de momento? Será que todas as frases bonitas daquele livro com a capa colorida, todas as palavras melosas e altamente intensas que costumam elevar o nosso humor, o nosso ego, o nosso interior, foram jogadas na lixeira? Ou será que mesmo cansada, calada, com sono, elas voltarão a cantar um dia, canções que preencheram tal laço? E, será que esse laço existirá daqui a dois, três, quatro anos? - Teoria. - Olho ao meu redor e percebo que há uma mulher de cabelo branco com aparência jovem me observando, bem de longe. Mas, por que? O que queres aquela mulher? Então, passo a observá-la também. Mas, ela me parece ser um tanto traissoeira. Mas, por que? Ela agora caminhava em minha direção... E finalmente chega, e para, e me olha, e respira, e me diz... O que esperas tu da vida, guria? Para onde vais? Por que estais sentada escrevendo enquanto poderias estar agindo? Cantando, dançando, sorrindo, correndo, gritando... Vivendo? E me virou as costas. Ela saiu caminhando, do nada, sem expressão alguma. Então eu abaixei a cabeça, olhei para o caderno, e resolvi correr pra ver se ainda alcançava o tal trem. Ele estava prestes a sair, precisei me esforçar, e corri. Corri, corri, corri, desesperadamente, e finalmente consegui alcança-lo. Subi. E quando me sentei, lembrei daquela mulher que agora a pouco havia me ensinado algo tão vago mas, com um valor tão extremo. Ela havia me ensinado uma nova lição desse livro fantástico que é a vida. Mas, ainda assim... O que mais me preocupava, não era a velha com aparência jovem, nem o trem, nem a tal lição.. O que mais me preocupava, era não saber de você. Não saber onde estava, com quem estava, e para onde estava indo. Se é que estava indo para algum lugar. Mas, espero um dia encontrá-lo. Novamente.
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"Talvez eu até esteja errado, mas que se dane. Se uma pessoa não tem paciência nem pra conquistar minha confiança e afastar meus medos, o que eu posso esperar, então? Sou quebra-cabeça de 500 mil peças, quem não tiver capacidade, tenta um jogo mais fácil. Eu supero e agradeço." - Tati Bernardi




