sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

A estranha invisibilidade dos olhos.



  E o que eu queria? O que eu queria nem eu mesma sabia. Era algo inanimado, alguma coisa que existia somente na minha cabeça. Eu fazia tantos planos, criava tantas cenas, e mal sabia eu que tudo aquilo não passava de pura ilusão de ótica. Uma conversa sem nexo entre o meu consciente e o meu subconsciente a respeito dos meus devaneios. Ah!, eu criava tantos cenários. Azuis, vermelhos, floridos, escuros, nublados, ensolarados, falsificados.
  Mas, após um certo tempo, eu simplesmente não conseguia mais criar cenário algum. Ficou tudo preto e branco. Como uma fotografia antiga; e não só antiga, como também, envelhecida, translúcida... E eu mal conseguia enxergar os traços da imagem. E após mais um tempo, tudo escureceu. Foram-se as cores, as fotografias memoráveis em preto e branco, cores em sépia... Tudo se foi, tudo, tudo!

  E de repente, míope, dautônica, cega. E tudo se foi.


- ThC.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

BAOBÁ; VIDA.





É preciso sorriso, para poder sorrir,
É preciso braços, para poder abraçar,
É preciso coração, para poder sentir,
É preciso boca, para poder beijar.


É preciso confiança, para poder confiar,
É preciso vida, para poder viver,
É preciso respeito, para poder respeitar,
É preciso ser criança, para poder crescer.


E como todo ar que se renova a cada milésimo, como toda pedra que se remove mundo a fora o tempo inteiro, como toda barreira que se é superada por alguém, é preciso tempo e paciência para se alcançar a sabedoria nos mínimos detalhes. 
E sabedoria tem valor, e muito, para ser admirada.




- ThC.

Um criptonita para a "super mulher".





"Hoje eu acordei pensando que seria um dia comum e que eu seria forte o suficiente para suportar toda e qualquer coisa, talvez eu tenha me enganado. O meu dia foi machucante. Eu nunca senti uma dor como essa que, corrói, fere, dissipa e, destrói. 
E o que eu podia fazer? Nada. Absolutamente nada. Eu ali parada, imóvel, enquanto você partia para longe de mim. Enquanto saía do meu campo de visão, e tudo se distorcia.
Todas as minhas sensações agora, engarrafadas, tumultuadas... E de repente, você se foi. Eu te disse adeus, mas não era o que eu queria dizer. Eu queria gritar, implorar, suplicar, te pedir pra não ir, pra não me deixar aqui sozinha. Mas você se foi. E se foi, e se foi, e se foi..."


21/06/2011 - 00:16
- ThC.

Qualquer sinônimo de cuidado.



   Ela sente tanto que acaba não sentindo nada. 
Os seus sentidos se invertem e se manipulam inversamente um contra o outro. O oxigênio se contrai, o ar se subtrai, o lar se abstrai. E o quarto? Sua cama feita, com aquele lençol azul que você tanto adora. Posso te contar um segredo? Ela o lavou e o deixou manchar sem querer. Foi sem querer mesmo, mas nós dois sabemos que no fundo ela queria manchar até mudar de cor mesmo. 
   E a cama feita? Ela deixou forrada e cuidada; o cobertor com o seu cheirinho social de poder, tudo bem limpinho e arrumado, mas você não vai voltar. E ela sabe disso. Não que você tenha morrido ou coisa do tipo mas, ela sabe. Você também sabe. Ninguém mais se olha como antes. Os elétrons que vocês carregam dentro de si, se repelem toda vez que se encontram. E isso não é segredo nem pra você nem para ela. E aquela camisa cinza de manga que você a-do-ra-va, você a esqueceu com ela, lembra? Pois é, uma linda camisa. Mas na minha opinião, eu ainda acho que, como ela sempre cuidou muito bem de você, ela cuidará melhor ainda das suas coisas. Principalmente porque, aquela camisa era a que você a-do-ra-va. E a noite em que você combinou de ir dormir na casa dela, foi, dormiu, e esqueceu a escova de dentes em cima do armário do banheiro dela? Então, ela guardou esta também. Cuida para que ninguém a suje, porque ela sabe que aquela escova percorreu todos os seus dentes, o céu da sua boca e ainda, a sua língua. Língua que por sinal ela a-do-ra-va.
   Observando isto, porque ela a jogaria fora ou devolveria pelo correio? Você comprou outra escova, óbvio... Mas, ela ainda guarda a velha pro caso de você esquecer a nova no apartamento de alguma outra amiga sua e estiver sem dinheiro para comprar uma nova, e nesse caso, ela iria correndo atrás de você com a sua escova velha na mão gritando o seu nome.
   Você nem deve se lembrar mais dela, da garota que guarda as suas coisas e as cuida. Mas, ela está sempre ali. Você de vez em quando, liga para ela perguntando se não esqueceu nada por lá. Às vezes nem liga. Ela já cansou de faltar no trabalho só para forrar a sua cama, passar a sua camisa e verificar poeiras na sua escova de dentes, isso só porque ela é assim, se preocupa demais com o quem não precisa de preocupação alguma, palavras da própria. Mas ela gosta, no fundo esse é o passatempo mais incrível dela, o passatempo que causa calafrios, borboletas no estômago, noites perdidas sem dormir, atrasos no trabalho... 
   E todo mundo pensa que ela te tem realmente, mas na verdade, ela só tem o que é seu.






- ThC.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Desassossego; o sustento.



É preciso ter calma.
É preciso não se desesperar, quando o que se quer muito exigir tempo. 
O desespero é inimigo da satisfação, aprendi. E calma, assim, lá vou eu. 
Caminhando contra toda a insegurança, contra todo o medo do desconhecido, contra toda a possibilidade de infelicidade, caminhando contra tudo o que me fizer pensar em desistir. 
E não temo, pois, dentro de mim habita uma força, que me impulsiona a desejar não fraquejar.
Existe algo que não quer que eu enfraqueça, toda vez que assim penso. 
E isso é bom, sempre é bom, pois, isso que permanece e permanecerá até o fim da minha vida no meu interior, é força capaz de dominar o meu corpo e a minha mente, e eu gosto. 
O que mora em mim, se chama Fé.  
E não desisto, insisto. Continuo seguindo mantendo os meus princípios e buscando o máximo.
Sempre.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

  Para se viver sem espaços ou pontes, é preciso exorcizar as coisas ruins da alma, abrir os portões da bondade no coração, preencher os espaços da solidão e rir exacerbadamente dos percalços da própria vida. Não se deixar viver em agonia, aproveitar cada centésimo do seu dia, relembrar os bons momentos dos seus meses e concluir aprendizados com o passar dos anos. E acima de tudo, acima de qualquer incerteza ou dúvida, entender da melhor forma possível que a vida vai ser sempre essa subida cansável e inexata que nos faz querer desistir às vezes, que nos afasta de pessoas e momentos, mas que será sempre A Vida. 
  E o que é a vida? Um conjunto perfeito e controlável dos pequenos pedaços dos nossos mais profundos detalhes: A razão, a carne, o cérebro e o oxigênio. E por mais difícil que seja encarar alguns momentos consecutivos(ou não) e perturbadores, é preciso entender que essa tal de Vida, que nos permite uma emoção e um êxtase único, não é tão ruim assim. E se tais palavras não foram suficientes para formar uma opinião e "viver sem fronteiras" por definitivo, leia esse pensamento inteiro e concretize-o na sua mente: 
  A Vida pode nos tirar pessoas, matérias e bons instantes, mas para o nosso bem(acredite), ela nos deixa sempre com a melhor parte desse extrato todo: Lembranças na nossa memória. Não gaste uma vida inteira levando em conta receios ou sentimentos que preencham seu coração de dor, qualifique a sua vida e dê valor a cada instante dela. Seja quem você sempre quis ser. Capacidade é algo que está dentro de nós, e Felicidade também. Coloque tudo isso em prática e acredite em si. Porque diante do nosso fim ou do fim de tudo, a Felicidade e os bons momentos na nossa memória, é realmente o que importam. 


Thainá Costa

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Pensar é Transgredir.



Não lembro em que momento percebi que viver deveria ser uma permanente reinvenção de nós mesmos — para não morrermos soterrados na poeira da banalidade embora pareça que ainda estamos vivos. 
Mas compreendi, num lampejo: então é isso, então é assim. Apesar dos medos, convém não ser demais fútil nem demais acomodada. Algumas vezes é preciso pegar o touro pelos chifres, mergulhar para depois ver o que acontece: porque a vida não tem de ser sorvida como uma taça que se esvazia, mas como o jarro que se renova a cada gole bebido.
Para reinventar-se é preciso pensar: isso aprendi muito cedo.
Apalpar, no nevoeiro de quem somos, algo que pareça uma essência: isso, mais ou menos, sou eu. Isso é o que eu queria ser, acredito ser, quero me tornar ou já fui. Muita inquietação por baixo das águas do cotidiano. Mais cômodo seria ficar com o travesseiro sobre a cabeça e adotar o lema reconfortante: "Parar pra pensar, nem pensar!"
O problema é que quando menos se espera ele chega, o sorrateiro pensamento que nos faz parar. Pode ser no meio do shopping, no trânsito, na frente da tevê ou do computador. Simplesmente escovando os dentes. Ou na hora da droga, do sexo sem afeto, do desafeto, do rancor, da lamúria, da hesitação e da resignação.
Sem ter programado, a gente pára pra pensar.
Pode ser um susto: como espiar de um berçário confortável para um corredor com mil possibilidades. Cada porta, uma escolha. Muitas vão se abrir para um nada ou para algum absurdo. Outras, para um jardim de promessas. Alguma, para a noite além da cerca. Hora de tirar os disfarces, aposentar as máscaras e reavaliar: reavaliar-se.
Pensar pede audácia, pois refletir é transgredir a ordem do superficial que nos pressiona tanto.
Somos demasiado frívolos: buscamos o atordoamento das mil distrações, corremos de um lado a outro achando que somos grandes cumpridores de tarefas. Quando o primeiro dever seria de vez em quando parar e analisar: quem a gente é, o que fazemos com a nossa vida, o tempo, os amores. E com as obrigações também, é claro, pois não temos sempre cinco anos de idade, quando a prioridade absoluta é dormir abraçado no urso de pelúcia e prosseguir, no sono, o sonho que afinal nessa idade ainda é a vida.
Mas pensar não é apenas a ameaça de enfrentar a alma no espelho: é sair para as varandas de si mesmo e olhar em torno, e quem sabe finalmente respirar.
Compreender: somos inquilinos de algo bem maior do que o nosso pequeno segredo individual. É o poderoso ciclo da existência. Nele todos os desastres e toda a beleza têm significado como fases de um processo.
Se nos escondermos num canto escuro abafando nossos questionamentos, não escutaremos o rumor do vento nas árvores do mundo. Nem compreenderemos que o prato das inevitáveis perdas pode pesar menos do que o dos possíveis ganhos.
Os ganhos ou os danos dependem da perspectiva e possibilidades de quem vai tecendo a sua história. O mundo em si não tem sentido sem o nosso olhar que lhe atribui identidade, sem o nosso pensamento que lhe confere alguma ordem.
Viver, como talvez morrer, é recriar-se: a vida não está aí apenas para ser suportada nem vivida, mas elaborada. Eventualmente reprogramada. Conscientemente executada. Muitas vezes, ousada.
Parece fácil: "escrever a respeito das coisas é fácil", já me disseram. Eu sei. Mas não é preciso realizar nada de espetacular, nem desejar nada excepcional. Não é preciso nem mesmo ser brilhante, importante, admirado.
Para viver de verdade, pensando e repensando a existência, para que ela valha a pena, é preciso ser amado; e amar; e amar-se. Ter esperança; qualquer esperança.
Questionar o que nos é imposto, sem rebeldias insensatas mas sem demasiada sensatez. Saborear o bom, mas aqui e ali enfrentar o ruim. Suportar sem se submeter, aceitar sem se humilhar, entregar-se sem renunciar a si mesmo e à possível dignidade.
Sonhar, porque se desistimos disso apaga-se a última claridade e nada mais valerá a pena. Escapar, na liberdade do pensamento, desse espírito de manada que trabalha obstinadamente para nos enquadrar, seja lá no que for.

E que o mínimo que a gente faça seja, a cada momento, o melhor que afinal se conseguiu fazer.

Lya Luft

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"Talvez eu até esteja errado, mas que se dane. Se uma pessoa não tem paciência nem pra conquistar minha confiança e afastar meus medos, o que eu posso esperar, então? Sou quebra-cabeça de 500 mil peças, quem não tiver capacidade, tenta um jogo mais fácil. Eu supero e agradeço." - Tati Bernardi